Conto, Jogo do Bicho, 1904

Jogo do bicho

Texto Fonte:

Obra Completa de Machado de Assis,

Rio de Janeiro: Nova Aguilar, Vol.
II, 1994.

Publicado originalmente em Almanaque Brasileiro Garnier, 1904.

Camilo,  ou Camilinho, como lhe
chamavam alguns por amizade,  ocupava em um dos arsenais do Rio de Janeiro
(marinha ou guerra) um emprego de escrita. Ganhava duzentos mil-ris por ms,
sujeitos ao desconto de taxa e montepio. Era solteiro, mas um dia, pelas
frias, foi passar a noite de Natal com um amigo no subrbio do Rocha; l viu
uma criaturinha modesta, vestido azul, olhos pedintes. Trs meses depois
estavam casados.

Nenhum tinha nada; ele, apenas o
emprego, ela as mos e as pernas para cuidar da casa toda, que era pequena, e
ajudar a preta velha que a criou e a acompanhou sem ordenado. Foi esta preta
que os fez casar mais depressa. No que lhes desse tal conselho; a rigor,
parecia-lhe melhor que ela ficasse com a tia viva, sem obrigaes, nem filhos.
Mas ningum lhe pediu opinio. Como, porm, dissesse um dia que, se sua filha
de criao casasse, iria servi-la de graa, esta frase foi contada a Camilo, e
Camilo resolveu casar dois meses depois. Se pensasse um pouco, talvez no
casasse logo; a preta era velha, eles eram moos, etc. A idia de que a preta
os servia de graa, entrou por uma verba eterna no oramento.

Germana, a preta, cumpriu a
palavra dada.

 Um caco de gente sempre pode
fazer uma panela de comida, disse ela.

Um ano depois o casal tinha um
filho, e a alegria que trouxe compensou os nus que traria. Joaninha, a esposa,
dispensou ama, tanto era o leite, e tamanha a robustez, sem contar a falta de
dinheiro; tambm  certo que nem pensaram nisto.

Tudo eram alegrias para o jovem
empregado, tudo esperanas. Ia haver uma reforma no arsenal, e ele seria
promovido. Enquanto no vinha a reforma, houve uma vaga por morte, e ele
acompanhou o enterro do colega, quase a rir. Em casa no se conteve e riu.
Exps  mulher tudo o que se ia dar, os nomes dos promovidos, dois, um tal Botelho,
protegido pelo general*** e ele. A promoo veio e apanhou Botelho e outro.
Camilo chorou desesperadamente, deu murros na cama, na mesa e em si.

 Tem pacincia, dizia-lhe
Joaninha.

 Que pacincia? H cinco anos que
marco passo...

Interrompeu-se. Aquela palavra, da
tcnica militar, aplicada por um empregado do arsenal, foi como gua na
fervura; consolou-o. Camilo gostou de si mesmo. Chegou a repeti-la aos
companheiros ntimos. Da a tempos, falando-se outra vez em reforma, Camilo foi
ter com o ministro e disse:

 Veja V. Ex. que h mais de
cinco anos vivo marcando passo.

O grifo  para exprimir a
acentuao que ele deu ao final da frase. Pareceu-lhe que fazia boa impresso
ao ministro, conquanto todas as classes usassem da mesma figura, funcionrios,
comerciantes, magistrados, industriais, etc., etc.

No houve reforma; Camilo
acomodou-se e foi vivendo. J ento tinha algumas dvidas, descontava os
ordenados, buscava trabalhos particulares, s escondidas. Como eram moos e se
amavam, o mau tempo trazia idia de um cu perpetuamente azul.

Apesar desta explicao, houve uma
semana em que a alegria de Camilo foi extraordinria. Ides ver. Que a
posteridade me oua. Camilo, pela primeira vez, jogou no bicho. Jogar no bicho
no  um eufemismo como matar o bicho. O jogador escolhe um nmero, que
convencionalmente representa um bicho, e se tal nmero acerta de ser o final da
sorte grande, todos os que arriscaram nele os seus vintns ganham, e todos os
que fiaram dos outros perdem. Comeou a vintns e dizem que est em contos de
ris; mas, vamos ao nosso caso.

Pela primeira vez Camilo jogou no
bicho, escolheu o macaco, e, entrando com cinco tostes, ganhou no sei quantas
vezes mais. Achou nisto tal despropsito que no quis crer, mas afinal foi
obrigado a crer, ver e receber o dinheiro. Naturalmente tornou ao macaco, duas,
trs, quatro vezes, mas o animal, meio-homem, falhou s esperanas do primeiro
dia. Camilo recorreu a outros bichos, sem melhor fortuna, e o lucro inteiro
tornou  gaveta do bicheiro. Entendeu que era melhor descansar algum tempo; mas
no h descanso eterno, nem ainda o das sepulturas. Um dia l vem a mo do
arquelogo a pesquisar os ossos e as idades.

Camilo tinha f. A f abala as
montanhas. Tentou o gato, depois o co, depois o avestruz; no havendo jogado
neles, podia ser que... No pde ser; a fortuna igualou os trs animais em no
lhes fazer dar nada. No queria ir pelos palpites dos jornais, como
faziam alguns amigos. Camilo perguntava como  que meia dzia de pessoas,
escrevendo notcias, podiam adivinhar os nmeros da sorte grande. De uma feita,
para provar o erro, concordou em aceitar um palpite, comprou no gato, e
ganhou.

 Ento? perguntaram-lhe os
amigos.

 Nem sempre se h de perder,
disse este.

 Acaba-se ganhando sempre, acudiu
um; a questo  tenacidade, no afrouxar nunca.

Apesar disso, Camilo deixou-se ir
com os seus clculos. Quando muito, cedia a certas indicaes que pareciam vir
do cu, como um dito de criana de rua: Mame, por que  que a senhora no
joga hoje na cobra? Ia-se  cobra e perdia; perdendo, explicava a si mesmo o
fato com os melhores raciocnios deste mundo, e a razo fortalecia a f.

Em vez de reforma da repartio
veio um aumento de vencimentos, cerca de sessenta mil-ris mensais. Camilo
resolveu batizar o filho, e escolheu para padrinho nada menos que o prprio
sujeito que lhe vendia os bichos, o banqueiro certo. No havia entre eles
relaes de famlia; parece at que o homem era um solteiro sem parentes. O
convite era to inopinado, que quase o fez rir, mas viu a sinceridade do moo,
e achou to honrosa a escolha que aceitou com prazer.

 No  negcio de casaca?

 Qual, casaca! Coisa modesta.

 Nem carro?

 Carro...

 Para que carro?

 Sim, basta ir a p. A igreja 
perto, na outra rua.

 Pois a p.

Qualquer pessoa atilada descobriu
j que a idia de Camilo  que o batizado fosse de carro. Tambm descobriu, 
vista da hesitao e do modo, que entrava naquela idia a de deixar que o carro
fosse pago pelo padrinho; no pagando o padrinho, no pagaria ningum. Fez-se o
batizado, o padrinho deixou uma lembrana ao afilhado, e prometeu, rindo, que
lhe daria um prmio na guia.

Esta graola explica a escolha do
pai. Era desconfiana dele que o bicheiro entrava na boa fortuna dos bichos, e
quis ligar-se-lhe por um lao espiritual. No jogou logo na guia para no
espantar, disse consigo, mas no esqueceu a promessa, e um dia, com ar de
riso, lembrou ao bicheiro:

 Compadre, quando for a guia,
diga.

 A guia?

Camilo recordou-lhe o dito; o
bicheiro soltou uma gargalhada.

 No, compadre; eu no posso
adivinhar. Aquilo foi pura brincadeira. Oxal que eu lhe pudesse dar um prmio.
A guia d; no  comum, mas d.

 Mas porque  que eu ainda no
acertei com ela?

 Isso no sei; eu no posso dar
conselhos, mas quero crer que voc, compadre, no tem pacincia no mesmo bicho,
no joga com certa constncia. Troca muito.  por isso que poucas vezes tem
acertado. Diga-me c: quantas vezes tem acertado?

 De cor, no posso dizer, mas
trago tudo muito bem escrito no meu caderno.

 Pois veja, e h de descobrir que
todo o seu mal est em no teimar algum tempo no mesmo bicho. Olhe, um preto,
que h trs meses joga na borboleta ganhou hoje e levou uma bolada...

Camilo escrevia efetivamente a
despesa e a receita, mas no as comparava para no conhecer a diferena. No
queria saber do deficit. Posto que metdico, tinha o instinto de fechar
os olhos  verdade, para no a ver e aborrecer. Entretanto, a sugesto do
compadre era aceitvel; talvez a inquietao, a impacincia, a falta de fixidez
nos mesmos bichos fosse a causa de no tirar nunca nada.

Ao chegar  casa achou a mulher
dividida entre a cozinha e a costura. Germana adoecera e ela fazia o jantar, ao
mesmo tempo que acabava o vestido de uma freguesa. Cosia para fora, a fim de
ajudar as despesas da casa e comprar algum vestido para si. O marido no
ocultou o desgosto da situao. Correu a ver a preta; j a achou melhor da
febre com o quinino que a mulher tinha em casa e lhe dera por sua imaginao;
e a preta acrescentou sorrindo:

 Imaginao de nh Joaninha 
boa.

Jantou triste, por ver a mulher
to carregada de trabalho, mas a alegria dela era tal, apesar de tudo, que o
fez alegre tambm. Depois do caf, foi ao caderno que trazia fechado na gaveta
e fez os seus clculos. Somou as vezes e os bichos, tantas na cobra, tantas no
galo, tantas no co e no resto, uma fauna inteira, mas to sem persistncia,
que era fcil desacertar. No queria somar a despesa e a receita para no
receber de cara um grande golpe, e fechou o caderno. Afinal no pde, e somou
lentamente, com cuidado para no errar; tinha gasto setecentos e sete mil-ris,
e tinha ganho oitenta e quatro mil-ris, um deficit de seiscentos e
vinte e trs mil-ris. Ficou assombrado.

 No  possvel!

Contou outra vez, ainda mais
lento, e chegou a uma diferena de cinco mil-ris para menos. Teve esperanas e
novamente somou as quantias gastas, e achou o primitivo deficit de
seiscentos e vinte e trs mil-ris. Trancou o caderno na gaveta; Joaninha, que
o vira jantar alegre, estranhou a mudana e perguntou o que  que tinha.

 Nada.

 Voc tem alguma coisa; foi
alguma lembrana...

 No foi nada.

Como a mulher teimasse em saber,
engendrou uma mentira,  uma turra com o chefe da seo,  coisa de nada.

 Mas voc estava alegre...

 Prova de que no vale nada.
Agora lembrou-me... e estava pensando no caso, mas no  nada. Vamos  bisca.

A bisca era o espetculo deles, a
pera, a Rua do Ouvidor, Petrpolis, Tijuca, tudo o que podia exprimir um
recreio, um passeio, um repouso. A alegria da esposa voltou ao que era. Quanto
ao marido, se no ficou to expansivo como de costume, achou algum prazer e
muita esperana nos nmeros das cartas. Jogou a bisca fazendo clculos,
conforme a primeira carta que sasse, depois a segunda, depois a terceira;
esperou a ltima; adotou outras combinaes, a ver os bichos que correspondiam
a elas, e viu muito deles, mas principalmente o macaco e a cobra; firmou-se nestes.

 O meu plano est feito, saiu
pensando no dia seguinte, vou at aos setecentos mil-ris. Se no tirar quantia
grossa que anime, no compro mais.

Firmou-se na cobra, por causa da
astcia, e caminhou para a casa do compadre. Confessou-lhe que aceitara o seu
conselho, e comeava a teimar na cobra.

 A cobra  boa, disse o compadre.

Camilo jogou uma semana inteira na
cobra, sem tirar nada. Ao stimo dia, lembrou-se de fixar mentalmente uma
preferncia, e escolheu a cobra-coral, perdeu; no dia seguinte, chamou-lhe
cascavel, perdeu tambm; veio  surucucu,  jibia,  jararaca, e nenhuma
variedade saiu da mesma tristssima fortuna. Mudou de rumo. Mudaria sem razo,
apesar da promessa feita; mas o que propriamente o determinou a isto foi o
encontro de um carro que ia matando um pobre menino. Correu gente, correu
polcia, o menino foi levado  farmcia, o cocheiro ao posto da guarda. Camilo
s reparou bem no nmero do carro, cuja terminao correspondia ao carneiro;
adotou o carneiro. O carneiro no foi mais feliz que a cobra.

No obstante, Camilo apoderou-se
daquele processo de adotar um bicho, e jogar nele at estaf-lo: era ir pelos
nmeros adventcios. Por exemplo, entrava por uma rua com os olhos no cho,
dava quarenta, sessenta, oitenta passos, erguia repentinamente os olhos e
fitava a primeira casa  direita ou  esquerda, tomava o nmero e ia dali ao
bicho correspondente. Tinha j gasto o processo de nmeros escritos e postos
dentro do chapu, o de um bilhete do Tesouro,  coisa rara,  e cem outras
formas, que se repetiam ou se completavam. Em todo caso, ia descambando na
impacincia e variava muito. Um dia resolveu fixar-se no leo; o compadre,
quando reconheceu que efetivamente no saa do rei dos animais, deu graas a
Deus.

 Ora, graas a Deus que o vejo
capaz de dar o grande bote. O leo tem andado esquivo,  provvel que derrube
tudo, mais hoje, mais amanh.

 Esquivo? Mas ento no querer
dizer...?

 Ao contrrio.

Dizer qu? Ao contrrio, qu?
Palavras escuras, mas para quem tem f e lida com nmeros, nada mais claro.
Camilo elevou ainda mais a soma da aposta. Faltava pouco para os setecentos
mil-ris; ou vencia ou morria.

A jovem consorte mantinha a
alegria da casa, por mais dura que fosse a vida, grossos os trabalhos,
crescentes as dvidas e os emprstimos, e at no raras as fomes. No lhe cabia
culpa, mas tinha pacincia. Ele, em chegando aos setecentos mil-ris, trancaria
a porta. O leo no queria dar. Camilo pensou em troc-lo por outro bicho, mas
o compadre afligia-se tanto com essa frouxido, que ele acabaria entre os
braos da realeza. Faltava j pouco; enfim, pouqussimo.

 Hoje respiro, disse Camilo 
esposa. Aqui est a nota ltima.

Cerca das duas horas, estando 
mesa da repartio, a copiar um grave documento, Camilo ia calculando os
nmeros e descrendo da sorte. O documento tinha algarismos; ele errou-os muita
vez, por causa do atropelo em que uns e outros lhe andavam no crebro. A troca
era fcil; os seus vinham mais vezes ao papel que os do documento original. E o
pior  que ele no dava por isso, escrevia o leo em vez de transcrever a soma
exata das toneladas de plvora...

De repente, entra na sala um
contnuo, chega-se-lhe ao ouvido, e diz que o leo dera. Camilo deixou cair a
pena, e a tinta inutilizou a cpia quase acabada. Se a ocasio fosse outra, era
caso de dar um murro no papel e quebrar a pena, mas a ocasio era esta, e o
papel e a pena escaparam s violncias mais justas deste mundo; o leo dera.
Mas, como a dvida no morre:

 Quem  que disse que o leo deu?
perguntou Camilo baixinho.

 O moo que me vendeu na cobra.

 Ento foi a cobra que deu.

 No, senhor; ele  que se
enganou e veio trazer a notcia pensando que eu tinha comprado no leo, mas foi
na cobra.

 Voc est certo?

 Certssimo.

Camilo quis deitar a correr, mas o
papel borrado de tinta acenou-lhe que no. Foi ao chefe, contou-lhe o desastre
e pediu para fazer a cpia no dia seguinte; viria mais cedo, ou levaria o
original para casa...

 Que est dizendo? A cpia h de
ficar pronta hoje.

 Mas so quase trs horas.

 Prorrogo o expediente.

Camilo teve vontade de prorrogar o
chefe at ao mar, se lhe era lcito dar tal uso ao verbo e ao regulamento.
Voltou  mesa, pegou de uma folha de papel e comeou a escrever o requerimento
de demisso. O leo dera; podia mandar embora aquele inferno. Tudo isto em
segundos rpidos, apenas um minuto e meio. No tendo remdio, entrou a recopiar
o documento, e antes das quatro horas estava acabado. A letra saiu tremida,
desigual, raivosa, agora melanclica, pouco a pouco alegre,  medida que o leo
dizia ao ouvido do amanuense, adoando a voz: Eu dei! eu dei!

 Ora, chegue-se, d c um abrao,
disse-lhe o compadre, quando ele ali apareceu. Afinal a sorte comea a
proteg-lo.

 Quanto?

 Cento e cinco mil-ris.

Camilo pegou em si e nos cento e
cinco mil-ris, e s na rua advertiu que no agradecera ao compadre; parou,
hesitou, continuou. Cento e cinco mil-ris! Tinha nsia de levar  mulher
aquela notcia; mas, assim... s...?

 Sim,  preciso festejar esse
acontecimento. Um dia no so dias. Devo agradecer ao cu a fortuna que me deu.
Um pratinho melhor  mesa...

Viu perto uma confeitaria; entrou
por ela e espraiou os olhos, sem escolher nada. O confeiteiro veio ajud-lo, e,
notando a incerteza de Camilo entre mesa e sobremesa, resolveu vender-lhe ambas
as coisas. Comeou por um pastelo, um rico pastelo, que enchia os olhos,
antes de encher a boca e o estmago. A sobremesa foi um rico pudim, em que
havia escrito, com letras de massa branca este viva eterno: Viva a
esperana!. A alegria de Camilo foi tanta e to estrepitosa que o homem no
teve remdio seno oferecer-lhe vinho tambm, uma ou duas garrafas. Duas.

 Isto no vai sem Porto; eu lhe
mando tudo por um menino. No  longe?

Camilo aceitou e pagou.
Entendeu-se com o menino acerca da casa e do que faria. Que lhe no batesse 
porta; chegasse e esperasse por ele; podia ser que ainda no estivesse em casa;
se estivesse, viria  janela, de quando em quando. Pagou dezesseis mil-ris e saiu.

Estava to contente com o jantar
que levava e o espanto da mulher, nem se lembrou de presentear Joaninha com
alguma jia. Esta idia s o assaltou no bonde, andando; desceu e voltou a p,
a buscar um mimo de ouro, um broche que fosse, com uma pedra preciosa. Achou um
broche nestas condies, to modesto no preo, cinqenta mil-ris  que ficou
admirado; mas comprou-o assim mesmo, e voou para casa.

Ao chegar, estava  porta o menino,
com cara de o haver j descomposto e mandado ao diabo. Tirou-lhe os embrulhos e
ofereceu-lhe uma gorjeta.

 No, senhor, o patro no quer.

 Pois no diga ao patro; pegue
l dez tostes; servem para comprar na cobra, compre na cobra.

Isto de lhe indicar o bicho que
no dera, em vez do leo, que dera, no foi clculo nem perversidade; foi
talvez confuso. O menino recebeu os dez tostes, ele entrou para casa com os
embrulhos e a alma nas mos e trinta e oito mil-ris na algibeira.
